Embora utópico, ainda assim, quero voltar a ser criança para reaprender e conhecer o mundo, colorindo-o de sonhos, vivendo o presente de forma livre, onde os adultos não conseguem viver porque é preciso ter pureza, inocência e humildade no cumprimento do seu dever.
Não preocupar com o dia seguinte, sem contas a pagar e cuja programação é apenas estudar e brincar. Acreditar e viver num mundo de fantasias, sonhar com personagens imaginários, muitos deles fazendo parte do seu itinerário.
Quero voltar à realidade de não ter medo do homem, mas do bicho-papão, que, mesmo não existindo ocupa inofensivamente, sua imaginação.
Quero voltar a levantar tarde, tirar a meleca do nariz sem importar com ninguém, falar errado, rir alto, cantar desentoado, deitar no colo dos pais depois de um dia agitado.
Quero voltar... para sempre acreditar que tudo é possível, ser feliz mesmo tendo pouco, fazer amigos sem saber os seus nomes, com efeito, por desconhecer o que é preconceito.
É bom voltar e estar sempre a correr, brincar até cansar, frágil ou forte, menino ou menina, vivendo sorridente, ao mesmo tempo sendo heróis, vilões e de suas histórias, verdadeiros campeões.
Voltar a ser criança é estar de mãos dadas com a vida, pois as suas intenções são sempre as melhores; a sinceridade está em seu coração, não possui rancor e é muito evidente o espírito de perdão.
Criança é também aquele adulto que nunca esqueceu da criança que foi um dia, com muitas perguntas na ponta da língua desejando ansiosamente todas as respostas, reconhecendo ainda que criança é o que a gente nunca deveria ter deixado de ser.
Bem falou Cora Coralina, quando escreveu que a vida tem duas faces: positiva e negativa. A positiva é a pedra de segurança, que nos ensina a viver e cuja solidez é adquirida desde criança.








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